terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Me chamaram de visceral, e eu chorei. Chorei as lágrimas das minhas vísceras arrancadas em tão poucas palavras. Visceral podia até ser um elogio, por outro qualquer. Mas vindo dele, é muito ruim, porque o meu visceral assusta, afasta, amedronta. Me rouba o sonho.


VISCERAL, VISCERAL, VISCERAL.....repercute em meu ser. Meus ouvidos já não suportam ouvir essa palavra se repetir na minha alma. Quando não pingam lágrimas, elas, as benditas lágrimas ficam penduradas no meu ser, feito morcego, se balançando e me colocando de cabeça para baixo.


“Não me faça me sentir culpado por não lhe entender”. Ainda tenho que suportar a culpa de ter sido intensa, de ter sido visceral, e de fazer o outro culpado por não me entender. Ah, mundo complicado. Quando a sensibilidade atravanca o progresso de um simples conhecer. Quando o descontrole da emoção atropela o outro que é um borbulhar de emoção. E foi a emoção do outro que me colocou pelo avesso, e me endireitou. E se eu não me chamasse Paula, e se eu fosse uma simples moela, um fígado em pedaços, uma
tripa de porco, eu seria vísceras, e eu seria visceral, e não estaria me sentindo culpada de ser humana. Humanamente emocional.




 10.04.09


3 comentários:

Memória de Elefante disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Memória de Elefante disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
paula barros disse...

Obrigada, e você com sua sensibilidade e conhecimento da vida sempre tem palavras de compreensão e força.

E foi pensando assim, separando o que é meu do que é do outro, que enfrento melhor os momentos.

Obrigada!

BEIJO